terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Saudade


Vejo o tempo voltar, olho pela janela folhas, luzes, faróis

Tudo o que é efêmero que está sempre ali

A solidão pintada de poste, o anseio trajado de estrelas

Distância fantasiada de muro, vejo tudo o que não tenho e sempre está ali

Bem sei nada do que sinto qual renunciável

Apegos são para quem sente, amigos para que prende e saudade para quem depende


Depende não só da angústia para se desprender

Como do egoísmo para se julgar subtraído

Aos segundos, sinto meu coração esmigalhar-se e depois se contar, se recolhendo com quem quebrou si mesmo

Tentando encaixar seus cacos no lugar, buscando uma vida que de lacunas se vale

Porque nelas os sentimentos arbitrários se ocupam...

Se as preenchem, se as esvaziam, é só mais um tempo

O tempo tem essa prática de por e de tirar coisas do seu lugar

E aqui, bem em silêncio eu quero rezar

As nuvens carregam pra longe o que eu rezo aqui comigo, baixinho

O travesseiro é meu ombro amigo...

E pro alto, lá se vê, ali eu sei, ali está você, e eu hei de passear no espaço contigo

Do teu abraço

Eu pareço precisar de sempre muito, muitos me sabem sobre o muro

Mas a pior forma de fazer-se mudo é falar a verdade com os olhos de quem assopra

E os olhos abrem gavetas, desvendam segredos, mostram lágrimas...

Pérolas, são tudo o que tenho pra lhe oferecer, e que vos diga, perpétuas

Pra sempre além do muro e deste mundo eu vou correr até que o meu jardim possa se juntar ao seu...

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